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Quarteto de Cordas de Matosinhos e Daniel Moreira são as novas "Rising Stars"
     
    Programa das salas de concerto europeias seleccionou portugueses para digressão e encomenda de uma obra.
 

 

   O Quarteto de Cordas de Matosinhos foi seleccionado pela European Concert Hall Organisation (ECHO) para integrar o programa Rising Stars 2014/2015, proporcionando aos seus quatro jovens instrumentistas a oportunidade de actuarem em várias salas de concerto da Europa, noticiou na quarta-feira a Casa da Música. Foi igualmente seleccionado Daniel Moreira, jovem compositor residente da Casa da Música em 2009, que vai compor uma obra para grupo coral que será interpretada nas 20 prestigiadas salas de concerto que integram a ECHO.

Todos os anos a ECHO escolhe seis jovens artistas ou agrupamentos para realizarem uma série de concertos em toda as salas da ECHO. A selecção é feita pelos directores artísticos das salas que integram a organização, permitindo o lançamento da carreira musical de vários artistas. O Quarteto de Cordas de Matosinhos e Daniel Moreira foram selecionados pelos directores artísticos da Fundação Casa da Música e da Fundação Calouste Gulbenkian, as duas salas portuguesas que integram a ECHO.

     O quarteto, que foi fundado em 2007 através de um concurso público promovido pela Câmara Municipal de Matosinhos, é constituído por Vitor Vieira e Juan Maggiorani (violinos), Jorge Alves (viola) e Marco Pereira (violoncelo), já tendo recebido todos seus membros prémios em Portugal e no estrangeiro, individualmente e em música de câmara, segundo o comunicado da Casa da Música. 

       "O quarteto está extremamente satisfeito e entusiasmado por ter sido escolhido para assumir um papel de destaque no âmbito do programa", disse Vitor Vieira ao PÚBLICO, numa resposta por email. "Encaramos esta tournée como um desafio e uma grande oportunidade para nos afirmarmos internacionalmente." Para o grupo significa, não só um reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo de mais de cinco anos de existência, "mas também uma oportunidade única de apresentação de música e músicos portugueses nas principais salas de concerto europeias".  É uma dupla satisfação esta oportunidade ter surgido no momento que nos preparamos para realizar o nosso 100º concerto." O concerto, que será no dia 15 de Maio no Teatro Constantino Nery em Matosinhos, contará com o pianista Pedro Burmester, incluindo o programa música de António Pinho Vargas, Luiz Costa e Antonín Dvorák. Vitor Vieira destaca o "apoio incondicional" oferecido pela Câmara Municipal de Matosinhos.

 

                                                        in "O Publico"

Quarteto de Cordas de Matosinhos

 

Têm dois discos a ser lançados muito em breve, talvez até nas próximas semanas, dedicados à música portuguesa contemporânea. Para breve está também a gravação de um terceiro disco, já com repertório tradicional de Quarteto de Cordas - Felix Mendelssohn e Shostakovich. Porém, é no palco que o Quarteto de Cordas de Matosinhos tem feito sucesso.

Fundado em 2007 através de um concurso público promovido pela Câmara Municipal de Matosinhos, o Quarteto de Cordas de Matosinhos é constituído por licenciados da Academia Nacional Superior de Orquestra: Vítor Vieira e Juan Maggiorani (violinos), Jorge Alves (viola) e Marco Pereira (violoncelo). Realizaram também estudos de aperfeiçoamento em diversas escolas de prestígio, como a Escuela Superior de Música Reina Sofia em Madrid, a Northwestern University em Chicago e o Conservatório Superior de Música de Sion na Suíça.

Realizou estudos especializados no Instituto Internacional de Música de Câmara de Madrid, sob a orientação de Rainer Schmidt (violinista do Quarteto Hagen). Todos os seus membros receberam prémios em Portugal e no estrangeiro individualmente e em música de câmara. Todos obtiveram o 1º lugar no mais prestigiando concurso de música nacional – Prémio Jovens Músicos RDP e destaca-se o prémio obtido já como Quarteto de Cordas de Matosinhos, no 1º Concurso Internacional de Música de Câmara de Alcobaça em 2009.

 

"Divulgação do património musical português"

 

"O projecto é bom, aliciante. Toda a gente admira uma Câmara que tenha uma iniciativa destas, não só connosco – há muitos concertos de música clássica em Matosinhos”, sublinha o Quarteto, que desenvolve uma temporada regular de concertos no município, onde apresenta uma série de projectos inéditos no país.

Além de integrais dos quartetos de Haydn, Mozart, Beethoven, Mendelssohn e Schumann, assume um papel importante na promoção e divulgação do património musical português e estreia de obras de compositores portugueses. Já tocou e estreou obras de Carlos Azevedo, Fernando Lapa, Vasco Mendonça, Miguel Azguime, Nuno Corte-Real, Eurico Carrapatoso, Clotilde Rosa, Christopher Bochmann, António Chagas Rosa, Álvaro Salazar, Luís Tinoco, João Pedro Oliveira, Carlos Guedes, Alexandre Delgado, Eduardo Patriarca, Telmo Marques e António Pinho Vargas, bem como Luiz de Freitas Branco, Frederico de Freitas, Armando José Fernandes e Luís Costa.

“É sempre um privilégio podermos trabalhar com um compositor na estreia de uma obra. É mágico, é qualquer coisa que não existe e que passa a existir. Escrita para nós, de uma pessoa do nosso meio, da nossa cultura, reflecte o que se passa à nossa volta, é qualquer coisa de especial”, confessam.

 

"É preciso falar-se, aparecer, saber que há vários quartetos”

 

O Quarteto de Cordas de Matosinhos tem a noção de que são caso raro no panorama actual da música de câmara portuguesa. “Com a evolução da música nos últimos 20 anos, começa a aparecer alguma coisa a que se pode chamar panorama da música de câmara em Portugal. Projectos destes não existem e é triste porque o quarteto de cordas é tão importante na história da música, mas se formos à rua perguntar ninguém sabe o que é porque não se fala. É preciso falar-se, aparecer, saber que há vários quartetos”, advertem.

O investimento neste tipo de formação deveria ser uma aposta não só do poder político mas também da comunicação social: “a cultura em Portugal não é tão má como se diz e, como as pessoas disseram durante muito tempo, que o estrangeiro é que é bom. Nós e Matosinhos somos uma prova de que não é bem assim, de que vale a pena investir nestes projectos e que há músicos portugueses de qualidade”.

 

"O ensino ainda não está preparado para os grupos seguirem uma carreira profissional"

 

Outra questão preocupante para o Quarteto é o ensino da música de câmara. Em todas as escolas oficiais de música há música de câmara, “mas é preciso continuar a melhorar esta disciplina. O ensino ainda não está preparado para os grupos seguirem uma carreira profissional. As pessoas preparam-se muito mais individualmente do que em grupo. Em muitos países já há um ensino mais aprofundado sobre o quarteto, música da câmara”, ao contrário de Portugal, que ainda tem um longo caminho a percorrer.

O facto de não haver uma tradição forte de música de câmara dificulta o investimento nesta área, também por parte dos próprios músicos. “Muitos dos grupos vencedores do Prémio Jovens Músicos acabam por ficar por ali, fazem alguns concertos depois de premiados, mas aos poucos o grupo vai morrendo”, explicam. 

 

"Acima de tudo, acreditar!"

 

Continua a ser impossível qualquer músico viver só do trabalho de Música de Câmara. Nem mesmo o Quarteto de Cordas de Matosinhos consegue dedicar-se inteiramente a este projecto que existe também graças “a uma dedicação tremenda” e ao “muito esforço” que os seus membros fazem diariamente para conciliar as suas carreiras como solistas, professores e, claro, como Quarteto.

Mas é preciso acreditar. “Acima de tudo acreditar que um dia… acreditar e lutar. Temos absolutamente tudo. Ter um bocado mais de força e vontade pode tornar tudo possível”.

    

                                                                                                                               in "DACAPO"

Matosinhos String Quartet and Daniel Moreira are the new "Rising Stars"

 

       Program of european concert halls has selected portuguese musicians for tour and the comission of a new work.

 

        The Matosinhos String Quartet was selected by the European Concert Hall Organization (ECHO) to participate in the 2014/15 Rising Stars program, giving its four young instrumentalists the opportunity to perform in various european concert halls, as announced on wednesday by the Casa da Música. Daniel Moreira, the young Composer in Residence at the Casa da Música, was also selected. He will compose a new work for voice ensemble that will be performed in the 20 prestigious concert halls that are part of ECHO.

Every year ECHO chooses six artists or ensembles to perform in all of the ECHO concert halls. The selection is made by the artistic directors of the concert halls that are part of the organization, providing a launch pad to young artist's careers. The Matosinhos String Quartet and Daniel Moreira were selected by the artistic directors of the Casa da Música Foundation and the Gulbenkian Foundation, the two portuguese concert halls that are part of the organization.

The Quartet, which was founded in 2007 in a public competition promoted by the Matosinhos City Hall, is formed by Vitor Vieira and Juan Maggiorani (violins), Jorge Alves (viola) and Marco Pereira (cello), and as been awarded prizes in Portugal and abroad, both individually and as part of chamber music ensembles, according to Casa da Música.

"The Quartet is very happy and excited for being chosen to have an important role in the program", Vitor Vieira told Público, in an email response. "We see this tour as a challenge and a great opportunity". To the group it means not just the recognition of the work already done over five years of existence, "but also an unique opportunity to present portuguese music and musicians in the greatest european concert halls. It is especially rewarding this opportunity having appeared as we are preparing our 100th concert". The concert, which will take place May 15th at the Cine Teatro Constantino Nery in Matosinhos, will feature pianist Pedro Burmester and will have on the program works by António Pinho Vargas, Luiz Costa and Antonin Dvorák. Vitor Vieira also notes the "unconditional support" offered by the Matosinhos City Hall.

 

 

 

 

 

in "O Publico"

Matosinhos String Quartet

 

They are launching two cd's very soon, in the next few weeks, dedicated to portuguese contemporary music. Soon they will also record a third cd, with traditional repertoire for string quartet, with works by Felix Mendelssohn and Dmitri Shostakovich. However, it's on stage that the Matosinhos String Quartet has been having success.

Founded in 2007 in a public competition promoted by the Matosinhos City Hall, The Matosinhos String Quartet is constituted by alumni of the Academia Nacional Superior de Orquestra: Vitor Vieira and Juan Maggiorani (violins), Jorge Alves (viola) and Marco Pereira). They also studied in prestigious schools, such as the Escuela Superior de Musica Reina Sofia in Madrid, Northwestern University in Chicago and Sion Conservatory in Switzerland.

The Quartet also had specialized studies at the Instituto Internacional de Musica de Cámara de Madrid, with Rainer Schmidt (violinist of the Hagen Quartet). All their members were awarded prizes in competitions in Portugal and abroad, individually and in chamber music ensembles. All hold 1st prizes in the most prestigious competition in Portugal - the Prémio Jovens Músicos of RDP and were also prizewinners, as the Matsoinhos String Quartet, in the first International Chamber Music Competition in Alcobaça in 2009.

 

"Championing the portuguese musical patrimony"

 

"The project is good and exciting. Everyone admires a City Hall that has an initiative like this, not only with our case - there are many classical music concerts in Matosinhos", the Quartet notes, as they have a regular concert season in the municipality, presenting various unprecedented projects in our country. Besides full cycles of Haydn, Mozart, Beethoven, Mendelssohn and Schumann, the promotion and divulgation of the portuguese repertoire, as well as premieres of works by portuguese composers, has a big role. The Quartet has played and premiered works by Carlos Azevedo, Fernando Lapa, Vasco Mendonça, Miguel Azguime, Nuno Corte-Real, Eurico Carrapatoso, Clotilde Rosa, Christopher Bochmann, António Chagas Rosa, Álvaro Salazar, luís Tinoco, João Pedro Oliveira, Carlos Guedes, Alexandre Delgado, Eduardo Patriarca, Telmo Marques e António Pinho Vargas, as well as works by Luiz de Freitas Branco, Frederico de Freitas, Armando José Fernandes e Luiz Costa.

It's always a privilege being able to work with the composer when premiering a new work. It's magical, there's something new that wasn't there before and now exists. Written for us, by someone from our milieu, our culture, reflecting what is happening around us, it's something very special", they confess.

 

"It is necessary that people talk, know there are several quartets"

 

The Matosinhos String Quartet knows they are a rare case in the present state of portuguese chamber music. "With the evolution in the last 20 years, there is something growing that you could call a chamber music scene in Portugal. Projects like these don't exist and it's sad because the string quartet is so important in the history of music, but if you go and ask random people, nobody knows what it is, because nobody talks about it. It is necessary that people talk, know there are several quartets", they warn.

The investment in this kind of ensemble should come not only from the political decisions, but also from the media: "culture in Portugal is not as bad as many people say, as well as the myth that foreign musicians are the good ones. We and and Matosinhos are the proof that that's not true, that it's worthwhile to invest in this kind of projects and that there are goos portuguese musicians".

 

"The educational system is not ready for ensembles to follow a professional career"

 

Another worrisome question for the Quartet is the teaching of chamber music. In every school there is chamber music, but "we need to keep improving this discipline. The educational system is not ready for ensembles to follow a professional career. Students prepare much more individually that as a group. In many countries there is specialized study in string quartet and chamber music", unlike Portugal, which still has a long way to go.

The fact that there isn't a strong chamber music tradition makes investing in this area difficult also for musicians. "Many of the groups that win the Prémio Jovens Músicos don't go anywhere, they play a few concerts, but the group slowly dies", they explain.

 

"Above all, believing!"

 

It is still impossible for a musician to live only from work in chamber music. Not even the Matosinhos String Quartet is able to dedicate themselves full time to this project, which only keeps existing through "tremendous dedication and effort" that its members give daily to conciliate their careers as soloists, teachers and, of course, the Quartet.

But one has to believe. "Above all, believing that one day... believing and fighting. We have absolutely everything. Having a little more strength and will can make anything possible".    

 

 

in "DACAPO"